domingo, dezembro 31, 2006

FELIZ 2007

Caros leitores:

Tenham boas entradas e que 2007 vos traga em dobro tudo aquilo que me desejarem.

(clicar)

IMPRESSÃO DIGITAL


Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.



Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.


António Gedeão

A Fórmula


Assim se constrói a Bomba Atómica

sábado, dezembro 30, 2006

Passivos Ocultos ou Mensagens Ocultas?

Na última Assembleia Municipal o Dr. Élio Maia informou que as dívidas da Câmara atingem “cerca de 250 milhões de euros”

Dada a gravidade e a surpresa da afirmação (ainda há bem pouco tempo os números eram outros e a actual comunicação do Presidente da CMA enviada à sessão da AM de Dezembro apresenta valores abissalmente diferentes e sobre esta grave matéria nada diz) e a sua influência na estratégia futura da CMA solicitei de imediato, ao Dr. Élio Maia, provas documentais que sustentem os números apresentados e permitam confirmar a sua afirmação.

Esperamos que esses documentos nos sejam entregues na próxima reunião da AM. Se tal não for feito, reservamo-nos o direito de daí retirar as devidas ilações e agir em conformidade.

Mas sempre direi que este tipo de afirmações devem, pela sua gravidade, ser antecipada e repetidamente confirmadas antes de serem publicamente proferidas.

O Prof. Manuel Coimbra complementou a afirmação do Sr. Presidente e falou de “passivos ocultos”, designadamente “facturas de compromissos que nem sequer o PS sabia que existiam” ou o “protocolo com o Beira-Mar e a SIMRIA”.

É óbvio que o Prof. Manuel Coimbra, por ser militante do PSD, detém informações privilegiadas e não podemos falar de facturas de compromissos cuja existência não conhecemos. Mas da SIMRIA e do Beira-Mar alguma coisa sabemos. E porque o assunto é grave passaremos, seguidamente a contar o que é do nosso conhecimento.

SIMRIA – O contrato entre a CMA e a SIMRIA foi assinado pelo Dr. Alberto Souto no tempo do governo do Eng. António Guterres. Ao mesmo tempo foi assinado um documento com uma cláusula que condicionava a entrada em vigor do contrato a uma deliberação de Câmara, deliberação essa que nunca foi tomada. O Dr. Alberto Souto nunca esteve de acordo com o estudo económico-financeiro que implicava, na altura um aumento elevadíssimo nas tarifas. Como o contrato nunca entrou em vigor, a dívida não podia figurar nas contas, porque não havia título jurídico.

Só quando a Administração da SIMRIA se apercebeu que necessitava de chegar a acordo com a CMA é que se dispôs a rever o estudo. Tanto quanto sei essa revisão foi acordada com o Dr. Sérgio Lopes (administrador da SIMRIA) e foi conseguido um acordo para que a alegada “dívida passada" da CMA nunca fosse paga, compensando-se a SIMRIA com a renúncia da CMA aos dividendos a que teria direito a partir de 2015.

Deste processo e do acordo obtido que me foi dito, constar de um Relatório de Gestão SIMRIA (penso que de 2005), o Sr. Armando Vieira, nosso companheiro da Assembleia Municipal, melhor e com mais profundidade do que eu poderá falar e confirmar se o que aqui é dito é ou não verdade.

De facto, parece-nos que a conclusão a retirar é que quando o Dr. Alberto Souto perdeu as eleições o contrato entre a CMA e a SIMRIA nunca tinha entrado em vigor e quando entrasse apenas implicaria a renúncia aos dividendos a distribuir pela Simria a partir de 2015.

Não sabemos o que é que se passou depois do Dr. Élio Maia ter sido eleito e entrado em funções. Espero que, entretanto, não tenha sido reconhecida a dívida ou se tenha alterado este acordo que defendia “à outrance” (por forma a inclusivamente ter causado engulhos políticos aos Governos do PS) os interesses Aveiro.

BEIRA-MAR – Tanto quanto sei, não é verdade que o Dr. Alberto Souto tenha prometido dar uma sede e um pavilhão ao Beira-Mar. A sede era resultante de um contrato de permuta com o espaço onde ainda hoje funciona a Polis e foi chumbada pelo Tribunal de Contas pelo que, no meu entender, a permuta ficou sem efeito e a Polis tem de adquirir o espaço ou no mínimo pagar a respectiva renda e devolvê-lo quando for extinta. O pavilhão seria construído pelo Beira-Mar, com o dinheiro que o clube obteria através das áreas de construção que estão previstas na área do actual pavilhão.

Da acção deste executivo o que sabemos é que não renegociou o Protocolo, como deveria ter feito em Outubro de 2005, não aprovou na Câmara nem na Assembleia Municipal a renovação do mesmo, não dissolveu a EMA e não pagou ao Beira-Mar, apesar do clube ter arranjado um comprador para um lote da Câmara cujo dinheiro tinha sido prometido consignar ao pagamento da dívida.

Mas melhor do que eu os Srs. Mano Nunes e Artur Filipe, presidentes do Beira-Mar neste período poderão confirmar se aquilo que é aqui dito sobre a sede e sobre o pavilhão é ou não verdade e informar de todo o processo posterior à entrada em funções do Dr. Élio Maia.

Não sei mais do que isto mas, pela minha experiência de vida, cheira-me a esturro já que estas declarações tem todo o aspecto de uma mensagem oculta que ainda não consigo decifrar mas que, à partida, não me agrada.

Vamos andando e vendo!

ESCADA EM CARACOL


É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.



Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.

Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.

Corre-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.

David Mourão-Ferreira

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Um novo Record do Guiness?


Disseram-me que para festejar a entrada em funcionamento do ferry-boat a Câmara Municipal de Aveiro se prepara para fazer larga festança.

Consta que vai ser servido um almoço ambulante a todos os munícipes que queiram comparecer ao tão ansiado acto. Porém, como a situação financeira da Câmara não permite grandes gastos, um bem conhecido e brilhante assessor do executivo sugeriu que na confecção da refeição sejam utilizados os anafados mexilhões que estão agarrados ao ferry-boat.

Desta forma matam-se dois coelhos com uma cajadada. Limpa-se o casco do Cale de Aveiro (que assim já não precisa de regressar à doca seca antes de começar a laborar) e obtêm-se deliciosos e frescos bivalves que dão para confeccionar uma paella de mexilhão suficiente para saciar o apetite de todos os Aveirenses.

Dado o estado de desenvolvimento dos moluscos e o tempo estimado para o evento é quase certo que essa paella gigante estabeleça um novo e inultrapassável Record do Guiness e, para que não se estrague comida, seja necessário endereçar convites aos munícipes dos concelhos vizinhos.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Dentes "ralos"?



Como se pode verificar pelas imagens, as obras necessárias para que o ferry-boat possa iniciar a sua actividade desenvolvem-se a bom ritmo como, em nome do Presidente da Câmara de Aveiro, foi assegurado pelo Dr. Pedro Ferreira na última reunião da Assembleia Municipal.

Os malvados dos socialistas é que são do contra e estão sempre a implicar com o excelente trabalho que o executivo de Élio Maia está a desenvolver. Mesmo quando ele está à vista de todos, como é o caso.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

INTERVENÇÃO AM, PAOD, 26/12/2006

2006 está a chegar ao fim.

É tempo da formulação de votos venturosos para o novo ano que se avizinha, mas é também tempo de, ao jeito de balanço, se tecerem algumas considerações ao trabalho autárquico desenvolvido que, respeitando o espírito natalício da época, convém serem o mais brandas e caridosas possível.

Mas por mais brandos e caridosos que queiramos ser não podemos deixar de concluir que o ano de 2006 não foi, em termos de gestão municipal, apenas um ano perdido. Foi um ano de retrocesso, um ano em que Aveiro se foi progressivamente desqualificando, um ano em que Aveiro se foi afastando do grupo das autarquias nacionais de referência de que, até há bem pouco tempo, fazia parte.

Se me fosse permitido fazer uma alegoria futebolística diria que Aveiro que ocupava um dos lugares cimeiros do campeonato autárquico nacional, divide agora pontos com Ovar ou Ílhavo e, pelo andar da carruagem, ainda vai ter de disputar a liguilha com autarquias como Vagos, Murtosa ou Oliveira do Bairro para não descer de divisão e ter de ir jogar com a Oliveirinha ou a Gafanha.

E é bom que se saiba que por detrás deste insucesso está a actual equipa autárquica liderada pelo Dr. Élio Maia a quem os munícipes de Aveiro, nas últimas eleições, concederam o privilégio de conduzir os destinos autárquicos aveirenses por quatro anos.

É tempo de Natal tempo de boa vontade mas também tempo de verdade. E é a verdade que nos obriga a dizer que o nosso Município é hoje um navio à deriva em risco de soçobrar. E ao seu leme, o Dr. Élio Maia não consegue traçar um rumo que permita a Aveiro sair da situação em que se encontra porque, infelizmente, não sabe para onde quer ir. E nenhum vento é bom para quem não sabe para onde vai.

Que foi feito das promessas feitas em campanha eleitoral, agora que o choradinho do passivo herdado se está a esgotar? Onde está a estratégia de que o nosso município necessita agora que essa tão abusada manobra de diversão se está a extinguir? Como é possível que passado mais de um ano da tomada de posse deste executivo ainda não se saiba qual o montante da dívida do município? Para quando a prometida alteração na estratégia das empresas municipais? Onde estão os novos projectos? Quando é que se concluem projectos que vem do executivo anterior como o ferry-boat que as gentes de S. Jacinto anseiam ou o Mercado Manuel Firmino pondo fim à cruz dos seus abnegados comerciantes? Como é possível que o Sr. Vereador das Finanças afirme que se permite “cortar“ a todos os seus colegas vereadores e inclusivamente ao Presidente quando estes, como ele diz, lhe massacram o juízo a solicitar verbas, sem que o Presidente publicamente repudie essa subalternidade?

De facto o que se verifica é uma completa e total falta de liderança por parte do Sr. Presidente da Câmara. O que se constata é uma confrangedora inépcia para o exercício do cargo de quem teria o dever de conduzir esta nau, que é a Câmara de Aveiro, a bom porto. O que se comprova é a cabal aplicação prática do Princípio de Peter que nos explica que nem sempre um bom Presidente da Junta de Freguesia pode ser convertido num razoável Presidente da Câmara.

O Sr. Presidente da Câmara não foi eleito, como pensa, apenas para coordenar uma equipa de vereadores. O Presidente da Câmara foi eleito para ser o líder dessa equipa. E não pode, como o tem feito, estar ausente dos debates em que se definem aspectos fundamentais para o nosso futuro colectivo como o Orçamento e o Plano, ou nas reuniões em que se discutem estes assuntos, entrar mudo e sair calado. O Sr. Presidente não pode ainda ter a postura e agir como a Rainha de Inglaterra e limitar-se a moderar conflitos entre a sua Câmara dos Lordes instalada nos Paços do Concelho e a sua Câmara dos Comuns sedeada na fábrica Jerónimo Pereira Campos. Tem de criar estratégias, tem de traçar objectivos, tem de definir metas, tem de distribuir tarefas, tem de implementar soluções para os males de que Aveiro padece e envolver todos os recursos disponíveis e toda a nossa vontade colectiva nesse processo gratificante que é o de desenvolver Aveiro, que é o de transformar Aveiro num concelho em que valha a pena viver.

O Presidente da Câmara de Aveiro não pode, só porque um dia lhe confidenciaram que a populista política de porta aberta é eficaz em termos eleitorais, passar os dias a receber munícipes sem sequer previamente ter feito a triagem da importância do problema que vai ser apresentado. O Presidente da Câmara não pode, mesmo que queira, gastar quatro dias por semana (agora parece que são menos) a resolver problemas de galinhas que saltam a cerca, comem e deixam presentes pouco perfumados no terreno do vizinho do seu dono. Não pode, porque não foi para isso que foi eleito, não é para isso que é pago e isso apouca-o e pior, apouca Aveiro e isso nem o Presidente da Câmara tem o direito de fazer.

O Dr. Élio Maia foi eleito para ser o Presidente da Câmara da Aveiro. Não para exercer o papel de psicólogo, médico ou padre. Nem muito menos para ultrapassar os serviços relativamente aos processos de legalização de obras, de habitação ou de autorização para construção. Muito menos para arranjar emprego para as pessoas (embora eu aí reconheça que tem tido algum êxito relativamente a alguns familiares de conhecidos políticos locais). E o papel de Presidente da Câmara de Aveiro, que não é uma Junta de Freguesia em ponto grande, é complexo, desafiante, certamente desgastante e exigente mas, decididamente, não implica apenas a ponderação e a análise dos problemas. Implica também e fundamentalmente a tomada de decisões que, como todos sabemos, são muitas vezes conflituantes e difíceis de tomar. Mas que, a bem de todos nós Aveirenses, a bem de Aveiro e do nosso futuro comum, têm de ser tomadas.

É por isso, Dr. Élio Maia, que lhe desejo, bem como ao seu executivo, muita saúde e discernimento para 2007. E espero que consiga rever a sua posição e começar a governar Aveiro. Que bem precisa!


Para ver como é um dia da vida de Élio Maia clique
aqui!

sábado, dezembro 23, 2006

HISTÓRIA ANTIGA


Era uma vez, lá na Judeia, um rei.

Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.



E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,

Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Miguel Torga

sexta-feira, dezembro 22, 2006

QUANDO ESTÁ FRIO


Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das coisas
O natural é o agradável só por ser natural.


Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno -
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar -
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece

Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,

Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer coisa que não fosse o Mundo.

Alberto Caeiro


domingo, dezembro 17, 2006

Dentes "ralos"


Quando eu era pequeno (não sei se sabem mas já fui pequeno) e frequentava a Escola Primária Major Lebre ali à face da Estrada de Ílhavo em Verdemilho, era costume os miúdos mais velhos atazanarem com o epíteto de aldrabões, os putos mais novos que tinham o azar de ter os incisivos da frente afastados, como é bastante vulgar nessas idades, porque a professora, um determinado dia, meio a brincar meio a sério, teria dito, que ter dentes "ralos" era sintoma de se ser mentiroso.

O tempo, na sua profunda sabedoria, acabaria, no entanto, por resolver a maior parte dos problemas e fazer esquecer aos visados os opróbrios sofridos.

Quando li as declarações que o Vereador das Finanças da Câmara de Aveiro fez quando apresentou o Orçamento para 2007, não sei bem a que propósito, relembrei-me deste costume da minha infância que julgava bem esquecido nos arquivos da memória.

Ainda bem que o Sr. Vereador não tem os dentes "ralos"!

Votos da estação!


Como devem ter reparado estou a reformular o Margem Esquerda.

Mais de 20.000 visitas num ano, mesmo estando o blog em estado letárgico durante grande parte do ano, fazem com que eu tenha de rever a minha posição de o encerrar.

Já pedi ao Pai Natal para, em 2007, me dar algum tempo para recomeçar a postar.

Oxalá todos saibam compreender neste blog são apresentadas as minhas posições pessoais que só a mim responsabilizam.

Comecei por rever os links e dar-lhes ordenamento alfabético. Também introduzi alguns links novos e apaguei outros que, entretanto, desapareceram.

Procurei incluir todos os blogs activos de Aveiro. Se acham que me esqueci de algum, ou se pensam que seria interessante ter um determinado link local ou nacional na página, fazem o favor de me informar pois todas as sugestões serão bem vindas.

Por outro lado se alguém sentir algum incómodo em ter o seu link na página agradeço que me informe para eu o apagar imediatamente.

Vá lá. Ajudem-me a construir uma boa página inicial já que os conteúdos...

Entretanto recebam calorosos votos da estação.

BOM NATAL E FELIZ 2007.